A possibilidade de realizar a utopia


Foi um dos maiores desafios que Fátima Proença já enfrentou: unir um conjunto de organizações, a maior parte das quais guineenses, e com elas persuadir o Governo da Guiné-Bissau a fechar a mais antiga esquadra da capital, que foi uma prisão, que era um “símbolo de opressão, de violência política”, e a cedê-la para que fosse transformada num espaço de cultura de direitos humanos.


O lugar, na parte velha de Bissau, desmonta, por si só, ideia feitas sobre a Guiné-Bissau — “um país que não funciona, sem instituições, à espera da ajuda internacional”. “Foi ali que encontrámos interlocutores, pessoas que querem lutar pela liberdade, pela justiça social e que se organizaram para isso”, diz.

A União Europeia nem sequer concedia financiamento para projectos de direitos humanos no país. O consórcio liderado pela Associação para a Cooperação entre os Povos (ACEP) e a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) obteve financiamento da Cooperação Portuguesa e abriu a Casa dos Direitos no início de 2012. Volvidos dois meses, houve um golpe de Estado. “Os dirigentes da Liga estavam lá dentro, o quartel-general estava mesmo em frente, os militares perseguiam pessoas na rua, mas ninguém foi lá procurá-los”, recorda. “A Casa dos Direitos já é.”

Não tinha uma relação próxima com a África imaginada, como era comum no Portugal da década de 1970. “Não tinha necessidade de defender uma África que tinha que ver com Portugal.” Contava 18 anos quando começou a colaborar com o Boletim Anti-Colonial. A sua primeira tarefa foi dactilografar um relatório sobre o massacre de Wiriyamu (Moçambique, 16 de Dezembro de 1972).
 
 
(Fátima Proença, Directora executiva ACEP, 61 anos)
 
Entrou no sector da ajuda ao desenvolvimento por via do Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral, actual Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral (CIDAC), associação nascida logo em Maio de 1974, na sequência da luta pela libertação. Começou como voluntária.

“Foi um processo natural”, diz Fátima Proença. Não teve, como tantos outros, de fazer um corte violento com a família, com a profissão ou com o país. “O que sou hoje tenho sorte de ter começado a ser em pequena, quando a minha mãe me contava histórias sobre um mundo longínquo.”

Aterrou pela primeira vez em África em 1983. Ia passar dois meses em Bissau a dar formação sobre documentação a técnicos das Forças Armadas e dos vários ministérios. “Foi um dos maiores processos de crescimento que vivi”, conta. Esforçou-se para “entender um país, uma cultura, que só conhecia em teoria, à distância”. E percebeu que iria ficar ligada a África para sempre.

Regressou mais depressa do que pensava. Regressou volvidos dois anos, com o marido, para passar um ano inteiro a trabalhar como cooperante do Estado português. “Trabalhei num projecto novo, o início do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa da Guiné-Bissau, com pessoas fora de série, que me ajudaram a perceber quais eram os meus limites, do que era ou não capaz.”

Era grande a tensão na Guiné-Bissau em 1985-1986. Houve uma tentativa de golpe de Estado que culminou com detenções, torturas, fuzilamentos. Tentando sentir a espessura das coisas, Fátima Proença enquadrava tudo no processo de transição da luta armada pela independência para a construção de um estado civil. “Há ali uma legitimidade ao nível das armas que é difícil de transformar…”

Há 30 anos, o sector estava a despontar em Portugal. A Plataforma Portuguesa das Organizações Não-Governamentais de Desenvolvimento foi formada por 13 entidades com mais desejo do que experiência de acção humanitária e cooperação para o desenvolvimento. Coordenava-a Eugénio Anacoreta Correia.
 
Fátima Proença pediu reforma antecipada ao Ministério do Comércio, onde começara a trabalhar ainda estudante de Economia, e dedicou-se a tempo inteiro ao CIDAC. Só de lá saiu em 1996, a caminho da ACEP, que fora criada para trabalhar na integração dos imigrantes africanos em Portugal e ambicionava passar a actuar nos seus países de origem.

Era mais uma etapa do mesmo caminho. Ia ajudar a construir sociedades mais democráticas, mais abertas aos “outros”, nos países de língua oficial portuguesa. Ia fazê-lo numa lógica de “educação para a igualdade”, não de “tolerância paternalista”. Partia do princípio de que todos podiam ajudar a “fazer mudança”. E ainda parte. “Não queremos falsos êxitos alimentados por pessoas que estão de passagem, que têm de fazer as coisas a correr”, explica. “As pessoas que estão lá têm de ter as rédeas, têm de dominar os processos, têm de estabelecer connosco uma relação de poder dizer ‘não’.”

Através dos seus projectos de comunicação, que amiúde envolvem jornalistas e artistas, a ACEP tenta fortalecer laços entre ONG, sensibilizar opiniões públicas, desmontar visões simplistas. “Não temos uma pressa desalmada de mostrar resultados, até porque muitas vezes os nossos resultados são invisíveis. Têm que ver com o que está na cabeça das pessoas, com capacidade de arriscar, de trabalhar em conjunto. E isso leva tempo. Temos de conquistar esse tempo. Com tempo, podemos cozer um elefante numa panela.”

Pode ser estafante. Há uma “pesada carga burocrática e administrativa” relacionada com obtenção de financiamento, sobretudo, junto da União Europeia, mas também nas instâncias nacionais. E isso, diz, “exige um profissionalismo que desvia do que deve ser o centro da actividade”.

Talvez fosse mais fácil se trabalhassem em áreas mais palpáveis como a vacinação ou a distribuição de comida. Nunca foram por aí. “Somos uma associação de gente que trabalha com associações de gente que tem o mesmo tipo de preocupação que nós. Somos cidadãos a tempo inteiro, digamos assim. Procuramos tornar algumas utopias possíveis.”
 
 

G-Bissau confia no êxito

(foto: onu)

Falando à Rádio ONU, na capital do país, o chefe do governo guineense disse tratar-se simplesmente de uma mesa redonda que “o povo pretende transformar num momento de viragem, coesão e unidade”.


“Nos últimos 15 a 20 anos a Guiné-Bissau passou por um período muito dif‰cil, o que levou à desmobilização de importantes parcerias internacionais. Se essas parcerias se renovarem e se activarem, nós já teremos um ganho muito importante. Logo a seguir, temos um ambicioso programa de desenvolvimento que vamos apresentar aos nossos parceiros e que contamos que colha a sua anuência, confirmação e disponibilidade para financiamento.”

O primeiro-ministro aponta ainda o facto de a mobilização “sem precedentes” em torno desses esforços ser um indicador encorajante.

Visão Estratégica

Na mala, a comitiva de 45 elementos leva a visão estratégica de desenvolvimento da Guiné-Bissau, um documento elaborado graças ao apoio técnico do Sistema das Nações Unidas com outros parceiros de desenvolvimento.

O plano será partilhado com os doadores internacionais para efeito de financiamento, na conferência onde são esperados cerca 240 convidados.

Expectativas

O Movimento Nacional da Sociedade Civil, que congrega centenas de organizações, esteve no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira de Bissau.

O presidente da entidade da sociedade civil, Jorge Gomes, disse que o objetivo era encorajar ao governo nesta missão.

“Centenas de projetos a serem levados aos parceiros de desenvolvimento confluem todas as áreas em que as organizações da sociedade civil guineense trabalham. Que esta mesa redonda seja coroada de sucessos e que o país herde e, por fim, comece uma nova era de paz e prosperidade.”

Na delegação está também o deputado Victor Mandinga que disse à Rádio ONU que tais expectativas não podem ser defraudadas pela Comunidade Internacional.

Motivação


“Este povo necessita de apoio urgente porque em casa em que não há pão, todo o mundo ralha e ninguém tem razão.”

No evento devem participar vários chefes de Estado da África Ocidental, segundo Simões Pereira que, entretanto, preferiu não avançar nomes enquanto “decorrem as diligências”.

Antes de deixar o país, Domingos Simões Pereira encontrou-se com o presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, que deve seguir para Bruxelas nesta segunda-feira.

NACIWA e CEDEAO, na luta contra a corrupção

O presidente executivo da Libéria Comissão Anti-Corrupção (LACC), Vereador. James N. Verdier, Jr. foi eleito Vice-Presidente da Mesa da Executivos da Rede de Combate à Corrupção Instituições Nacionais na África Ocidental (NACIWA).


Verdier foi eleito durante o Round-Table Encontro sobre "a denúncia de corrupção" para instituições membros da NACIWA e da Assembleia Geral Anual de NACIWA realizada em Abuja, Nigéria, de 10-13 março de 2015.

A Assembléia também elegeu o Sr. IssoufouBouraimah do Níger como presidente, a Sra NafyNgom Keita de Senegal como Secretário Administrativo e Mr. Shollay Davies da Serra Leoa, Secretário de Finanças. Eleitos por um período de três anos.

A Assembleia Geral Anual de NACIWA também criou uma comissão para analisar a constituição da organização. A comissão é composta por Professor Ibriga Luc Marius de Burkina Faso como Presidente e Vereador. James N. Verdier, Jr. da Libéria, Mr. Agapit Napoleon Maforikan de Benin, a Sra FatiAbarchi, Níger e Dr. Luis José Tavares Landim de Carbo Verde como membros.

A reunião foi concebida para reforçar a capacidade de Anti-corrupção nas instituições da região em "denúncia de irregularidades", com vista a melhorar os seus esforços na luta e combate à corrupção, bem como aprofundar e promover a transparência e prestação de contas em todos os níveis do processo de governação nos Estados-Membros.

Ele também analisou as formas, ferramentas e metodologias implantadas para trabalhar no país e além fronteiras para apoiar eficazmente os cidadãos, organizações da sociedade civil e mídia no envolvimento em práticas de denúncias na região.

Ao final da reunião, os participantes recomendaram, entre outros, que a CEDEAO deve desenvolver uma política / estratégia regional sobre protecção do delator; que devem ser feitos esforços para reforçar a sinergia entre as sociedades civis, Media, Anti-Corrupção Instituições, Legislativo, Judiciário e outras partes interessadas com o objectivo de promover a denúncia e protecção de denunciantes; e, a necessidade de garantir a autonomia absoluta de Anti-corrupção instituições na região e promover a integridade das instituições particularmente em relação aos Delatores.

Os participantes também concordaram que os membros do NACIWA deve considerar um regime de compensação dos Delatores; que haja envolvimento contínuo no aprimoramento das capacidades do aparelho judicial para compreender melhor o mecanismo de comunicação de irregularidades e de seus processos; e a necessidade de reforço da colaboração entre NACIWA e da Comissão da CEDEAO, a fim de ajudar os países que não têm Anti-Corrupção Instituição de vir a estabelecer uma.

Foi ainda acordado que as instituições membros devem trabalhar para a formulação de uma legislação nacional sobre o delator que irá reflectir as melhores práticas obtidas em toda a Região, continente e do mundo; e que NACIWA deve levantar fundos para promover a comunicação de irregularidades em toda a Região.

A reunião teve a participação de alguns chefes e representantes das Instituições Nacionais de Combate à Corrupção dos Estados-Membros do Benin; Burkina Faso; Cote d'Ivoire; Gana; Guiné; Guiné-Bissau; Cabo Verde; Libéria; Mali; Niger; Nigéria; Senegal; Serra Leoa e Togo.

O Assessor Regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), o representante da Africa Development Bank (BAD), o Director do Jornal "L'événement" Niger e do representante da Open Society Initiative para a África Ocidental ( OSIWA) também estavam presentes.


ENTREVISTA: “INSTITUCIONALIZAR O CARNAVAL É DAR-LHE VIDA E BONS HORIZONTES”



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O Coordenador do Grupo Cultural “Netos de Bandim”, Ector Diógenes Cassamá (Negado), disse numa entrevista exclusiva a “O Democrata” que a institucionalização do Carnaval é, na sua visão, dar vida a maior manifestação cultural do país, assim como atribui-lo os horizontes que merece.
O jovem Coordenador do Grupo considera que a manifestação do Carnaval da Guiné-Bissau é a terceira e das mais ricas do mundo e das mais bonitas dos países lusófonos, a seguir a do Brasil que é o primeiro.

O grupo cultural “Netos de Bandim” foi fundado no dia 12 de Novembro de 2000 em Bissau, tendo como mentor da iniciativa a Organização Não Governamental “Amigo das Crianças (AMIC)” com o objectivo de realizar uma campanha de sensibilização sobre a Convenção dos Direitos das Crianças. Actualmente, “Netos de Bandim” conta com mais de 120 membros que compõem as diferentes coreografias culturais do grupo.
Negado disse que foi membro da equipa de animadores da ONG AMIC que fazia campanhas de sensibilização sobre diferentes matérias, acrescentando que na altura entenderam que havia uma grande necessidade de realizar campanhas de sensibilização através do teatro, da música e da dança. Sustentou ainda que depois da campanha e como havia interesse da parte dos membros do grupo, chegaram a conclusão de que deveriam manter o grupo e realizar eventuais trabalhos por solicitação de diferentes organizações.

O grupo “Netos de Bandim” integrou pela primeira vez o desfile carnavalesco de 2006 e até esta data tem sido uma presença regular nos concursos do carnaval e tem constado sempre na lista dos três primeiros classificados. Negado lembrou a “O Democrata” que em 2011, o grupo que coordena ausentou-se do país para participar no Carnaval do Brasil, concretamente no Estado de São Paulo. Já em 2012, os “Netos de Bandim” vestiram as cores do grupo Iris de Brá, saindo como vencedor do desfile nacional no Carnaval daquele ano.
Ector Diógenes Cassamá contou ainda que no ano 2014, o grupo não participou no desfile nacional. Essa “ausência” de acordo com o coordenador, deveu-se à saída para o interior do país, em parceria com o Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP), para animar a zona insular, concretamente na Ilha de Orango e fazer-se de jurado do carnaval dessa ilha. Segundo o coordenador, essa saída permitiu-lhes fazer uma recolha de alguns estilos de danças, trajes e músicas tradicionais da etnia bijagó.
“Essa recolha constituíu agora uma das ferramentas fundamentais do grupo no último desfile do carnaval 2015”, contou.

Questionado se o grupo chegou de participar nos festivais culturais internacionais, Negado disse que o seu grupo já representou as cores nacionais no Festival Internacional de Kanilai, terra natal do Presidente da Gâmbia, Yaya Jammeh. Contou ainda que o seu grupo conseguiu arrancar três troféus naquele festival, nomeadamente do primeiro classificado, segunda posição em trajes e o segundo lugar na magia.
NETOS DE BANDIM APOIA A INICIATIVA DA INSTITUCIONALIZAÇÃO DO CARNAVAL

Solicitado a pronunciar-se sobre a ideia de institucionalizar o carnaval, disse que a institucionalização do carnaval seria muito bom, porque permitiria que as pessoas que trabalhassem no carnaval tivessem a noção de que a sua responsabilidade e os seus termos de referência são a organização do carnaval, assim como das actividades pós carnaval.
Realçou que depois do carnaval há um monte de actividades que poderiam ser levadas a cabo, mas as pessoas não trabalham com este propósito. Assim que termina o desfile, acomodam-se e ficam à espera do desfile seguinte. Porém, se o carnaval fosse institucionalizado as pessoas que constituem a equipa ou a direcção poderiam trabalhar na criação de outras iniciativas.
“Os organizadores do Carnaval teriam muitas tarefas, e sem dúvidas isso seria muito útil, podendo retirar da Direcção-geral da Cultura essa responsabilidade que mantém ao longo de anos, mas que nunca conseguiu cumprir. O carnaval é sempre organizado a partir de 1 de Janeiro, mas entendemos que isso deveria ser um trabalho de 12 meses, para que o carnaval pudesse ter vida que merece ter”, exortou Negado.

Lamentou a forma como a maior manifestação cultural do país fica apenas dentro de um espaço de superfície de 36 mil quilómetros quadrados, apesar de ser considerada a terceira mais rica a nível mundial. Segundo Negado, graças à um pequeno número de turistas, as imagens do nosso carnaval consegue ultrapassar as fronteiras.
“Porque é que o país não pode ter um site sobre o carnaval, permitindo a comunicação ao mundo do que é carnaval da Guiné-Bissau?!”, questionou.

Explicou que depois da festa do carnaval o seu grupo leva a cabo algumas actividades que denominam “Carnaval Extra – Temporal”. No âmbito dessas atividades, o grupo passa por vários bairros da capital, mas se tivessem patrocínios, essa passagem poderia ser alargada a nível nacional para mostrar às pessoas que não tiveram oportunidade de presenciar o desfile do carnaval em Bissau. Frisou ainda que ganhando ou não o desfile nacional do carnaval, o grupo irá premiar o povo guineense com aquilo que tem de bom no aspecto da cultura.
INICIAMOS O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DOS “NETOS DE BANDIM” EM 2010

Falando do percurso do Grupo “Netos de Bandim”, o seu coordenador disse que chegaram à conclusão que era necessário internacionalizar o grupo. O processo foi iniciado em 2010 através da criação de uma página oficial na Internet que lhes permite entrar em contacto com o mundo. Acrescentou ainda que foi assim que conseguiram entrar em contacto com um Educador Social brasileiro que serviu de ponte para que o grupo pudesse tomar parte no carnaval brasileiro.
“Este educador social ajudou-nos muito porque falou com diferentes municípios, exibindo as nossas fotografias e vídeos. E foi assim que conseguimos chegar ao Brasil em 2011. Fizemos a abertura oficial do Carnaval 2011 em Araraquara (São Paulo), tendo como o palco principal o palacete da cidade”, explicou.
Recordou ainda que o seu grupo foi convidado a desfilar no encerramento do carnaval da cidade de Itirapina no mesmo Estado de São Paulo e que no fim do carnaval o seu grupo foi homenageado pela Câmara Municipal da cidade de Araraquara. Todavia, lamentou o facto de seu grupo não ter conseguido voltar ao Brasil em 2012, devido ao golpe de estado de 12 de Abril.
“Lembro-me que quando em 2011 estávamos de regresso ao país vindos do Brasil, fizemos uma escala em Cabo Verde. A associação dos guineenses que vivem em Cabo Verde organizou, em colaboração com a Câmara Municipal da Praia, um grande espectáculo no Auditório Nacional, no qual actuamos para vereadores e seus familiares, assim como para os guineenses em Cabo Verde. Foi um espectáculo que nos marcou bastante, porque foi presidido pela Câmara de Praia e a recepção foi outra. Foram buscar-nos desde à porta do avião e fomos conduzidos até ao hotel”, explanou.
O responsável lembrou na entrevista que os “Netos de Bandim” voltaram a pisar o solo Brasileiro em 2013, mas para outra cidade chamada Marília, em São Paulo, no âmbito de um projecto designado “Africanizando Marília”. O grupo realizou workshops sobre as percussões e danças da Guiné-Bissau com educadores sociais da Universidade de UNESP. O grupo realizou também alguns espectáculos nos diferentes pontos da cidade, de acordo com os planos da Câmara Municipal de Marília.
INSTITUCIONALIZAMOS O GRUPO NETOS DE BANDIM EM 2010
Solicitado a pronunciar-se sobre a origem de fundos que permitem ao grupo a realização das suas actividades, o coordenador disse que quando falaou da internacionalização, não mencionara a institucionalização do próprio grupo que começou em 2010. A partir daí a sua organização decidiu criar um fundo próprio. Revelou que o grupo não tem um patrocinador oficial, mas que as receitas da organização têm origem nas suas actividades.

“Em 100 por cento das receitas de cada actividade, retemos sempre uma fatia que é destinada a escolarização das nossas crianças, sobretudo aquelas que mais necessitam. Tiramos ainda uma parte para o apoio médico e em medicamentos para as crianças. O grupo tem um médico, a Dra. Adama Seco Djibou, que oferece consultas gratuitas às nossas crianças e que sempre que necessário, oferece algum medicamento às nossas crianças. Também temos uma médica e um médico que dão consultas às meninas do grupo, assim como dão aconselhamentos na metéria de saúde sexual e reprodutiva”, assinalou o responsável do grupo, para de seguida avançar que 50 por cento das receitas ficam no fundo para a compra de materiais para o grupo.
Aquele responsável considerou que a partir de 2010, o seu grupo começou a trabalhar naquilo que chamaram de “Comunicação para o Desenvolvimento”, elaborando projectos para concorrer em projectos e campanhas de sensibilização, utilizando a música, o teatro, a poesia, as artes plásticas.

Lembrou que neste âmbito, o grupo assinou um protocolo de acordo com AMIC. O protocolo visa a participação num projecto de iniciativa juvenil denominado (Jovens Criando uma Cultura de Paz). O projecto é da iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e visa fazer uma campanha de sensibilização em diferentes estabelecimentos militares do país passando mensagens de paz. Frisou que o seu grupo voltou a ganhar a segunda fase do mesmo projecto.
Informou ainda que neste momento o grupo está a implementar uma campanha de sensibilização em matéria de métodos de prevenção do Vírus Ébola e que esta já se encontra na segunda fase. Explicou ainda que o grupo fez parcerias com outros grupos do interior do país que passam a mesma mensagem nas suas regiões e os “Netos de Bandim” implementam a sua campanha no Sector Autónomo de Bissau (SAB).
Instado a pronunciar-se sobre como a sua organização recompensa seus membros em termos monetários, Cassamá disse que os participantes em cada actividade recebem certa quantia da receita (subsidio de actividades). Contou também que a maior parte do fundo reverte para os interesses superiores dos membros da organização.
Cassamá revelou que mais de 70 por cento dos elementos do grupo estão a beneficiar de apoio na escolarização, tanto nas escolas primárias como na formação em alguns centros de formação da capital.

O primeiro homem dos “Netos de Bandim” disse que um elemento do grupo está quase a terminar um curso na área de recursos humanos, esperando que possa aplicar os conhecimentos adquiridos ao serviço do grupo, contribuindo para o seu crescimento.
NETOS DE BANDIM PRETENDE RESGATAR A CULTURA GUINEENSE

Ector Diógenes Cassamá disse que o sonho do grupo “Netos de Bandim” é de um dia tornar-se numa instituição cultural de grande dimensão, que possa trabalhar no resgate dos valores culturais da Guiné-Bissau que, segundo ele, já se encontram em fase de extinção ou do esquecimento. Afirmou que o seu grupo vai apostar no resgate dos valores culturais do país onde se encontram escondidos e trazê-los para o presente.
“O nosso objectivo é ver a nossa imagem além-fronteiras e difundir o lado bom do país. Para também facilitar a vida do próprio grupo, pedimos ao Estado da Guiné-Bissau que suporte pelo menos uma tourné internacional, porque isso pode abrir-nos as portas para o mundo”, precisou.
Este responsável assegurou que se a organização que coordena fizesse um tourné internacional, através das parcerias que iria criar, talvez quando houvesse eventos internacionais, as poder-se-ia contactar “Netos de Bandim” para tomar parte e que até aqueles parceiros poderão custear as deslocações do grupo sem que o mesmo pedisse cem francos ao Estado.
Cassamá espelhou que da mesma forma a sua organização vai transportar a imagem do próprio país, transportando a maior riqueza da Guiné-Bissau. Frisou ainda que o grupo que dirige ajudará os jovens a deixarem o mundo da delinquência para que estes começassem a sentir responsáveis.
GRUPO “NETOS DE BANDIM” QUESTIONA A FORMA COMO A COMISSÃO CONDUZIU O DESFILE 2015
Questionado se o grupo acha ter merecido a terceira posição da classificação do Carnaval 2015, respondeu “fizemos o nosso trabalho e o júri fez igualmente o seu. Porém, lamentamos muito a forma como a comissão conduziu o desfile do maior evento cultural do país”.

Aproveitou a entrevista para manifestar a sua indignação contra a comissão organizadora. No seu entender, a comissão está a matar a arte, por não ter premiado as máscaras. As máscaras deveriam ser numeradas para melhor poderem ser identificadas e pontuadas e assim receberem os prémios merecidos. A premiação das máscaras obrigaria os artistas a um esforço particular para produzirem melhores máscaras na edição seguinte do carnaval
Negado indignou-se ainda pela forma como a comissão decidiu premiar as máscaras em conjunto com o grupo, separando a rainha. Sustentou que “a rainha está mais próxima do grupo, pelo que seria normal juntar o grupo e a rainha numa única classificação, deixando as máscaras à parte”.
Cassamá disse que o terceiro lugar é uma vitória para os “Netos de Bandim”, porque participaram 12 grupos no desfile nacional e o seu grupo ocupou o terceiro posto. Revelou que um dos sonhos do grupo é construir um Palácio Cultural “Netos de Bandim” na Guiné-Bissau, onde as pessoas possam encontrar diferentes trajes culturais, instrumentos tradicionais em fase da extinção e as diferentes artes plásticas do país.

“ESTADO É MAIOR DEVEDOR DE APGB COM MAIS DE CINCO BILHÕES DE FRANCOS CFA

  Não dá para acreditar mas leia a notícia para tirar ilações. “Estado guineense é maior devedor de APGB, com mais de cinco bilhões de fr...