Bélgica acolhe conferência de doadores a favor da Guiné-Bissau




Uma conferência internacional de doadores para mobilizar fundos a favor da Guiné-Bissau será organizada em Bruxelas, na capital belga, em início de 2015, segundo o presidente do Conselho de Ministros da  (CEDEAO), Hanna Serwaa Teteh.

Teteh anunciou este plano de manter uma conferência de doadores na abertura da 73ª sessão  do seu Conselho que decorreu terça-feira na sede da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), na capital Abuja.

Segundo ele, os fundos a serem mobilizados na conferência de doadores servirão para complementar os esforços financeiros empreendidos pela CEDEAO neste país.

Em abril de 2014, a Guiné-Bissau organizou eleições presidenciais e legislativas que balizaram o caminho para um regresso à ordem constitucional neste país da África Ocidental de cerca de 1,6 milhão de habitantes e isto na sequência de um golpe de Estado.

Estas eleições presidenciais foram vencidas por José Mario Vaz, um antigo ministro das Finanças, num país onde nenhum Presidente conseguiu terminar o seu mandato desde a sua independência, há 40 anos.

No quadro dos esforços do Grupo de Contato Internacional para a Guiné-Bissau, um encontro realizado em Nova Iorque, a 18 de novembro de 2014, decidiu, entre outras medidas, prorrogar o mandato da Missão da CEDEAO neste país (ECOMIB).

Teteh exprimiu a esperança de ver o Conselho submeter e recomendar o prolongamento do mandato da missão aos chefes de Estado da CEDEAO que devem reunir-se no fim de semana, em Abuja, para dar a sua aprovação.

AUGUSTO PEREIRA DA GRAÇA RECORDA OS DIAS AMARGOS NO TARRAFAL





O ex-embaixador da Guiné-Bissau na então União Soviética, Augusto Pereira da Graça, o “Neco”, participou da mobilização de cidadãos para a guerrilha no Leste da Guiné.



Nos anos 1960, “Neco” foi vítima da espionagem colonial durante a mobilização. Ficou sete anos no chamado “campo de concentração do Tarrafal”, onde foi torturado na “Holandinha”. Saiu da prisão quando o general português António de Spínola instalou a “Política por uma Guiné melhor” e reintegrou à guerrilha na frente Norte.



“Neco” recebeu a reportagem da DW África no condomínio construído aos ex-combatentes na capital guineense. Ele mora em um dos 130 apartamentos construídos durante a administração do ex-Presidente Kumba Ialá.



DW África: Pode lembrar os seus dias no Tarrafal?



Augusto Pereira Graça (APG): Foram amargos. Foram dias dolorosos porque lá as refeições oferecidas continham arroz e óleo de palma podres. O óleo de palma não servia nem para fazer sabão. Para lavar a roupa e tomar banho, tínhamos direito a dez litros de água. O comportamento disciplinar era muito rigoroso. Bastava uma falha nas correspondências com os carcereiros que eram brutalmente castigados. Havia celas normais e uma outra “disciplinar”. As pessoas iam para lá para ficar uma semana a pão e água – consumido de dois em dois dias. Havia uma outra cela ainda mais perigosa, chamada “Holandinha” ou “Frigideira”. Os prisioneiros iam para lá para saírem mortos. Cá fora, quando era três horas da tarde, já era noite naquele cubo. Não havia torturas físicas, mas psicológicas para ver se reduziam a nossa resistência e determinação em continuar a luta pela nossa liberdade definitiva.











"Holandinha": prisioneiro ficava em pequeno recinto para punição especial





DW África: O senhor foi para a “Holandinha”?



APG: A “Holandinha” servia para o castigo mais severo. Eu fui parar lá como acusado de liderar um protesto dentro da prisão contra o alimento que nos forneciam, que não dava para nada. Não poderíamos mesmo saborear este alimento. Então o diretor entendeu que eu estava a criar uma subversão dentro do campo. Saiu um despacho que me dava um castigo de 15 horas nesta “Holandinha”. Eu não sei dizer qual é a temperatura dentro deste cubo, mas o indivíduo entra para lá e, depois de cinco minutos, parecia que lhe tinham dado um banho. Era um calor insuportável. Pode-se dizer um “calor infernal”. Passei 15 horas ali, mas parecia que tinham sido 15 anos.



DW África: Quando o senhor foi preso havia sinais de que o senhor estava combatendo?



APG: Nesta altura, ainda não havia armas. Usávamos apenas pistolas que eram distribuídas aos militantes clandestinos. Quer dizer, as pessoas que eram indicadas como responsáveis recebiam uma pistola para defesa. Quando me aprisionaram, não me encontraram com nada. Chegava de uma reunião a 40 quilómetros de Gabu. Era uma reunião política, de mobilização para a adesão à luta de libertação. Era necessário despertar primeiro a consciência patriótica para as pessoas aderirem à luta. Queríamos que a nossa luta fosse política, que a nossa independência fosse dada pacificamente. Depois, concluiu-se, no entanto, que isto não seria possível. Salazar dizia que a Guiné era a “filha primogénita” de Portugal, que tinha sido conquistada com sangue.






Ouça a entrevista a Augusto Pereira da Graça

DW África: Como era abordagem das pessoas nas tabancas?



APG: Primeiro, procurava-se saber quem eram as pessoas influentes na tabanca. Explicávamos a estas pessoas os castigos e trabalhos forçados aos quais a população estava sendo submetida. Era quase como se vivêssemos em uma situação de escravatura e chegava a hora de nos libertarmos destes trabalhos forçados. Nesta conversa conseguia-se a aderência à luta política. Mas neste período não se sabia quem era da PIDE e quem não era. Então, falava-se com quem quer que fosse e muitas vezes falávamos com um indivíduo que pertencia à PIDE.





Mas, nesta altura, como a PIDE não tinha autorização de lançar uma ofensiva prisional, eles tomavam o nome das pessoas que iam para as tabancas fazer a mobilização. Assim, na madrugada de 13 de março de 1962, a tropa colonial portuguesa lançou uma operação militar que resultou na prisão do presidente do partido Rafael Barbosa. Foi uma prisão em massa que acabou resultando na nossa prisão também no dia 17.



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O Campo do Tarrafal foi reactivado em 1961 para receber prisioneiros das ex-colónias portuguesas



DW África: O senhor vive hoje em um condomínio para ex-combatentes em Bissau.



APG: O condomínio é um monumento de reconhecimento dos nossos sacrifícios. O governo entendeu que deveria começar a ter uma atitude de reconhecimento aos combatentes. Mandaram construir estes prédios, mas o número dos combatentes instalados aqui é muito inferior ao de combatentes que não estão aqui instalados. Muito embora o governo defendesse que as construções continuariam até que todos os combatentes fossem todos dignamente instalados.



DW África: Então, este condomínio é uma vitória.



APG: Em parte. Seria uma vitória completa se todos os combatentes estivessem dignamente instalados. Nem todos estão instalados devido às dificuldades que os sucessivos governos enfrentavam. Somos milhares de combatentes da pátria. Instalar todos de uma vez é muito difícil. Isto tem que ser feito paulatinamente. Conforme a disponibilidade financeira do governo, vai-se satisfazendo às necessidades dos combatentes. Não há apartamentos para todos. Fez-se uma espécie de sorteio para acomodar as famílias que estão aqui e os outros aguardam a sua vez.




FUNPI: Governo trava fundo do caju e promete "auditoria minuciosa"




O governo da Guiné-Bissau excluiu o fundo de promoção do caju (Funpi) do Orçamento de Estado para 2015 e vai fazer uma auditoria às respetivas contas, disse hoje à Lusa o ministro do Comércio, Serifo Embaló. "O Governo fez uma proposta (da sua supressão) do Orçamento Geral do Estado, que foi aprovado pelo Parlamento. Portanto, tudo o que é previsão de formas de receitas do Estado está no Orçamento", do qual já não consta o Funpi, referiu.

"Neste momento, o Funpi não constitui preocupação para ninguém", disse hoje o governante que falava durante um encontro numa unidade hoteleira de Bissau dedicado a estratégias para rentabilizar o comércio do produto. Segundo referiu, o governo vai realizar uma "auditoria minuciosa" às contas daquele fundo, criado pela Câmara do Comércio para a promoção de iniciativas industriais no setor do caju.

O Fundo de Promoção às Iniciativas Industrias foi criado em 2011 numa concertação entre a Câmara do Comercio, Indústria, Agricultura e Serviços (CCIAS) e o Governo do então primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, tendo gerado mais de 20 milhões de dólares (16 milhões de euros).

O dinheiro, guardado num conta do tesouro público, seria empregue para a promoção de iniciativas de industrialização e transformação de produtos agrícolas do país. No entanto, segundo o ministro das Finanças, Geraldo Martins, o dinheiro foi "mal utilizado" durante o período de transição, na sequência do golpe de estado de abril de 2012

Fontes ligadas ao executivo de transição afirmam que parte do dinheiro do Funpi foi utilizada no pagamento dos ordenados e outras despesas do estado. Ao mesmo tempo, muitos intervenientes da fileira do caju descordam da existência do fundo por ser gerado a partir de um imposto que é cobrado por cada quilograma do produto exportado.

Queixam-se de o dinheiro não reverter para o fim para o qual foi destinado. O ministro do Comércio defende que, no caso concreto do Funpi, o "Governo fez o seu papel" ao suprimir do Orçamento Geral do Estado um fundo que era motivo de "muita controvérsia".

«CRÓNICAS DE BISSAU» NHO MORGADO DE SABEL



Há dias assim, dias que o sol deixa simplesmente de exibir o seu brilho ao público. Há noites também, que a lua rejeita aparecer para o baile. Essa noite é uma delas, o Nho Morgado de Sabel calmo e paciente, uma característica pouco comum no seu circuito de amizade, acabava de tomar o seu banho e foi para o quarto. A sua mulher, vulgarmente conhecida pela Nha Sabel, estava alegre, pensando que o seu marido ia logo para a cama, era um engano. Sentado na cama que se encontrava no meio do quarto, limpou o seu corpo calmamente e levantou-se, vestiu-se e saiu com uma pinta aromática, sem dizer nada. A mulher sabia que era sexta, por isso dispensava reclamações e boca puxada que não adiantava em nada. 



Bissau escuro, a lua insistia a não comparecer para o baile que animava as noites de sexta dos homens, mas isso não impedia o Nho Morgado de Sabel se meter no seu carro Renault Laguna Station Wagou, azul escuro, de caixa automática, para dar umas voltas à cidade acabrunhada de mistérios nocturnos. O objectivo era único, "engate". Era um termo pouco conhecido, só os que frequentavam as noitadas o conheciam, ou seja, o homem casado saia da sua casa para paparicar as garotas que se disponibilizavam a fazer companhia durante a escuridão. Por isso que o lobo, muito cedo, dizia que a noite é medonha, o escuro é perigoso e se o dia amanhecesse repentinamente muitos iam saber que não é apenas ele que se disfrutava da escuridão.



Aquela noite, além de escura, a chuva também ameaçava vir para o baile da cidade, porque a lua não queria comparecer, entretanto ela vinha para substitui-la e dar menos vida para os que estão na rua e mais aconchego para os que estavam na cama com os abraços apertados, porque vinha com o seu furor de sempre, o vento friorento.



Nho Morgado de Sabel, andou os sítios habituais: foi à Bambu 2000, o ambiente estava um pouco triste, os fregueses não gostavam da ameaça que a chuva fazia; decidiu ir à Sabura, tudo estava morno com a esperança de que a lua ia aparecer a qualquer momento; desceu até Stop, mas encontrou o mesmo panorama; seguiu para a Tabanka, podia contar no dedo da mão as pessoas que eram persistidas como ele; passou para a Plack, era um autêntico deserto.



Nho Morgado de Sabel resolveu voltar para o bairro de Pilum, a Sabura e a Stop estavam ainda com a esperança no aparecimento da lua como ele também, a esperança de conseguir um engate permanecia, embora a noite já tivesse crescido muito. Quando chegou, a esperança desmoronou-se, rapidamente mudou da estratégia. Encostou o carro azul escuro na berma de estrada ao pé de uma Taberna de Nar, pôs-se a ligar. Ligou três meninas, mas todas elas respondiam com uma voz do sono profundo. Voltou a lista dos contactos para procurar a quarta, foi precisamente nesse momento que uma voz fina lhe disse: "amigo, patin boleia!". Era a sorte da esperança.



Lá vai a boleia, Nho Morgado de Sabel para atrair a menina ordenou, através de um simples clique no botão, subir todos os vidros e ligou o AC. De repente, o bafo começou a ganhar o entusiasmo, o fedor vinha donde? Naturalmente da menina que não sabia o que era tomar banho há mais de um mês, ela era uma psicopata, literalmente doida. A sorte de desespero subiu a cabeça de Nho Morgado de Sabel, quando enxergou o anormal na menina, o que ele deve fazer agora?


“ESTADO É MAIOR DEVEDOR DE APGB COM MAIS DE CINCO BILHÕES DE FRANCOS CFA

  Não dá para acreditar mas leia a notícia para tirar ilações. “Estado guineense é maior devedor de APGB, com mais de cinco bilhões de fr...