«DIPLOMACIA» PRESIDENTE DA GUINÉ-BISSAU RECEBEU AS CARTAS CREDENCIAIS DE MAIS QUATRO NOVOS EMBAIXADORES


Bissau, 05 Maio 16 (ANG) – O Chefe de Estado, José Mário Vaz recebeu ontem as cartas credenciais de mais quatro novos embaixadores para a Guiné-Bissau mas com residência no estrangeiro.

São embaixadores de Argélia, Irão, Quatar e Suécia.

A saída da cerimónia, a Embaixadora da Suécia para o país com residência em Portugal Caroline Fleetwood sublinhou que o seu país já tinha uma embaixada e um embaixador no país no passado e que a entrega das cartas credencias ao Chefe do Estado mostra que os guineenses estão no coração dos suecos.

“Tivemos uma cooperação muito boa e interessante logo nos princípios da libertação do país e agora estamos a cooperar através das instituições multilaterais, disse, salientando que o seu país dá muitos fundos aos diferentes órgãos das Organização das Nações Unidas (ONU), como UNICEF, FAO instituições entre outros presentes na Guiné-Bissau .

Perguntado se a Suécia vai retomar os projectos que já tinha no país, a diplomata respondeu que a retoma da embaixada é um primeiro passo com o governo, salientando que tem esperança que no futuro os dois estados poderão colaborar de várias e diferentes formas.]
Seyed Hamid Reza Vahid Kiani, Embaixador do Irão para a Guiné-Bissau com residência emKonacry, disse que o seu país quer intervir no país nas ares da agricultura e pecuária , havendo já um acordo com as autoridades de Bissau para o efeito.

“Como sabem, o Irão é um país poderoso na sua região este poder vem e depende da resistência do nosso país. Temos o apoio do Presidente da República e do Ministro dos Negócios Estrangeiros para vinda de empresas Iranianas para trabalhar na Guiné-Bissau e espero que o país possa vir a ser um produtor como o meu país não importador” desejou.

Por seu turno, o Embaixador de Qatar com residência em Dakar disse que é a primeira vez que o seu país nomeou um emissário não residente para a República da Guiné-Bissau.

Sereya Bin Ali Al Qahtani adiantou ainda que dialogaram com o Chefe do Estado sobre as oportunidades de investimento por parte dos homens de negócios daquele “gigante asiático” no país, bem como o reforço das relações bilaterais entre os dois povos em todas os vertentes. Ali Al Qahtanidisse esperar que as relações entre os dois países se desenvolvam nos próximos tempos. 
 
Embaixador da Argelia
ANG/MSC/SG/Conosaba

Cocaína fresca continua a chegar ao país e está à venda no centro da capital

Um jovem de 22 anos mostra um saquinho de 22 gramas de cocaína que cabe na palma da mão. "Esta droga chegou há dias à Guiné-Bissau, num avião clandestino" que aterrou numa das ilhas do país, diz.


Parte da carga terá sido depois dissimulada em canoas e transportada "discretamente" até ser distribuída por pequenos traficantes de Bissau como ele, que vive no bairro de Nova Sintra.

A droga esconde-se na amálgama de habitações de adobe e lata, no meio do pó, lixo e esgotos a céu aberto - a cinco minutos a pé da zona nobre da capital.

Cada grama de cocaína pode render-lhe entre 12.500 a 15.000 francos CFA -- entre 19 a 23 euros, metade do que um guineense ganha num mês de trabalho, se ganhar.

Ou pode render mais ainda se for derretida para fazer pedrinhas de "crack", a cocaína cristalizada que se fuma.

"Com um grama já assisti em minutos à produção de 52 pedras de crack", refere Abílio Aleluia, sociólogo guineense do Instituto Nacional de Saúde Pública (INASA).

Abílio, 35 anos, estuda o consumo de estupefacientes no país, sonha colocar no terreno um observatório sobre o tema e mantém contacto regular com consumidores e traficantes como este que nos mostra cocaína no bairro de Nova Sintra.

"Continua a faltar vontade política e capacidade das autoridades para acabar com o tráfico", sentencia, em tom pesaroso.

O sociólogo mostra-se mais pessimista que a comunidade internacional, que tem expressado confiança na vontade política dos governantes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), eleitos em 2014, e no objetivo do novo líder das forças armadas, Biaguê Nan Tan, de combater o narcotráfico.

É um cenário muito diferente do denunciado em 2007 pelas Nações Unidas. Na ocasião, a ONU anunciou que os grandes traficantes de drogas estavam "infiltrados nas estruturas do Estado" e estavam "a atuar impunemente" na Guiné-Bissau, a corromper tudo e todos, nas palavras de António Maria Costa, diretor executivo do Departamento para as Drogas e Crime da ONU (UNODC), perante o Conselho de Segurança, em Nova Iorque.

O trânsito de estupefacientes nunca mais parou, usando a África Ocidental como trampolim da América do Sul para o mundo. Hoje a Guiné-Bissau continua a fazer parte de um grupo de 11 países da região vulneráveis ao tráfico de droga, refere fonte da UNODC em Bissau.

A detenção em flagrante por agentes norte-americanos do oficial da marinha guineense Bubo Na Tchuto e seus cúmplices, em abril de 2013 (depois de atraídos para fazer parte de uma transação de cocaína encenada para os capturar), teve um efeito dissuasor, dizem fontes da Polícia Judiciária (PJ) guineense e da UNODC.

As eleições de 2014, com consequente diminuição da influência dos militares que protegiam o trânsito da droga, também atenuaram o tráfico, acrescentam.

Mas ele continua, aproveitando o facto de o território guineense praticamente não ser vigiado -- tanto no continente como nas 80 ilhas e ilhéus dos Bijagós, muitas desertas, um esconderijo quase perfeito para qualquer atividade ilícita.

Hoje as autoridades estimam que os pequenos aviões clandestinos oriundos da América do Sul carregados de cocaína aterrem com menos frequência e que os traficantes prefiram largar a droga empacotada no mar, junto do arquipélago dos Bijagós.

Entre setembro e outubro de 2015, agentes no terreno receberam informações sobre duas destas largadas, entre o ilhéu do Meio, no extremo sul do arquipélago, e a Guiné-Conacri -- sendo que cada avião deverá ter capacidade para 500 a 600 quilos de droga.

Com a carga a flutuar, cúmplices em canoas a motor recolhem-na, agrupam-na em praias desertas e levam a maior parte para a Guiné-Conacri.

A PJ já recebeu relatos de droga dissimulada nas arcas frigoríficas das canoas, usadas para guardar peixe. Já do lado de Conacri, os traficantes encaminham a cocaína para diferentes destinos.

Outra fonte da ONU referiu à Lusa que há testemunhos da população recolhidos no primeiro trimestre deste ano sobre movimentações de aeronaves e descargas no território continental.

A conjugação destes relatos faz crer que o tráfico de droga está a acontecer também no interior do país.


Droga. Está calado e serás valorizado...

A população de Cufar, no sul da Guiné-Bissau, foge quando se pergunta sobre os voos que descarregavam cocaína na pista de aviação da aldeia e até os militares colaboram com o silêncio da população.


"Sem autorização superior" das hierarquias militares não é possível perguntar a quem vive na zona sobre o tráfico de droga. A antiga pista de aviação portuguesa de Cufar, colada à capital regional de Catió, está referenciada como uma das mais utilizadas para tráfico de droga na Guiné-Bissau ao longo da última década.

No local, o assunto é tabu: chegar à aldeia e começar a meter conversa com os residentes, perguntando por quem se recorde das aterragens, faz com que as pessoas se afastem com medo.

"Quando chegavam jipes de luxo, de alta cilindrada, pelas sete, oito da tarde, já sabíamos que ia chegar avião nessa noite", conta um dos habitantes, um dos raros que aceita falar, sob anonimato, sobre "as aterragens" que remontam a 2007.

"Os carros chegavam, mas ficavam meio escondidos", por entre a vegetação da savana. Surgiam homens que colocavam lâmpadas de 100 em 100 metros ao longo da pista e, com armas, afastavam a população.

A partir daquela altura, "ninguém podia pisar no local" até o avião aterrar e a mercadoria ser descarregada e aí de quem falasse sobre o assunto.

Ainda hoje as conversas com residentes de Cufar são interrompidas por elementos à paisana, que se apresentam como militares.

"Eles não gostam que a gente fale do assunto e não gostam de ver aqui estranhos", acrescenta o residente.

Logo depois, um militar à paisana interrompe a conversa e indica que, "sem autorização superior" não é possível continuar a fazer perguntas sobre o tráfico de droga, já que a pista é um espaço militar -- logo, reservado -- mesmo funcione como acesso principal à aldeia, onde todos passam.

"Já basta a má fama que isto tem", desabafa em crioulo, mas sem querer abordar o assunto.

Em Amedalai, Mansoa, centro do país, a estrada era cortada por militares para os aviões com droga aterrarem -- e a população mantida à distância sob ameaça de armas de fogo.

Bubaque, capital das ilhas, com uma pista sem vigilância, ou a costa de Biombo, perto de Bissau, foram outros locais que ganharam notoriedade depois de 2007 e onde os residentes, seus amigos ou familiares guardam histórias ligadas ao tráfico.

Um motorista de organizações não-governamentais (ONG), que também prefere ficar no anonimato, conheceu várias dessas histórias ao percorrer o país e recorda um homem que concretizou o sonho de uma vida: construiu a sua própria casa, em Cufar.

A única coisa que tinha que fazer era guardar material descarregado na pista da aldeia.

"Diziam-lhe que eram químicos e medicamentos e que ele não podia tocar naquilo. Podia causar problemas" -- e nunca tocou em nada, recebendo em troca 50 mil francos CFA (76 euros) por cada carregamento.

As contas finais só ele as saberá, mas o sonho concretizou-se e está à vista de todos.
 
 

 
 

Em Bissau narcotraficantes seguidos por uma polícia com falta de meios

"Em fevereiro houve um forte seguimento de pessoas que chegaram ao país e desencadearam diversas atividades", referiu fonte da PJ.

"Não fotografámos estupefacientes, mas o que constatámos deixa-nos 90% certos de que estavam a preparar algo ligado ao tráfico", acrescentou.


Entre setembro e outubro de 2015, no mesmo período em que o Presidente da República demitiu o Governo e houve uma situação de turbulência política, registou-se na Guiné-Bissau o "mais intenso movimento" de sul-americanos ligados ao tráfico de droga.

"Tudo por causa da indefinição no poder. Eles aproveitam a instabilidade como distração", acrescentou a mesma fonte da PJ.

Aquela polícia guineense realiza atualmente "operações de seguimento e vigilância várias vezes por mês".

O objetivo é um dia apanhar em flagrante um "tubarão", ou seja, um grande traficante, e os operacionais acreditam que já estiveram mais longe de o conseguir.

Segundo refere a mesma fonte, continua a haver cumplicidade "de alguns militares" guineenses no tráfico de cocaína, mas "por iniciativa pessoal: são ligações que ficaram com os traficantes" e não um envolvimento por indicação superior da hierarquia militar, "como antes acontecia".

O maior desafio das autoridades para enfrentar o narcotráfico na Guiné-Bissau "é a falta de capacidade para se fazerem investigações profundas e complexas", refere a fonte da UNODC em Bissau, numa alusão à incapacidade das polícias.

O problema é um denominador comum nos relatórios sobre o tráfico de cocaína oriunda da América do Sul e que há uma década faz da África Ocidental o trampolim para o resto do mundo.

Já em abril de 2009, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Zamora Induta, apontava as ilhas de Bubaque, Orango e João Vieira, no arquipélago guineense dos Bijagós, como locais de aterragem de aviões suspeitos.

"Isto tudo acontece por falta de autoridade de Estado nessas ilhas", dizia.

E neste aspeto, apesar de haver uma nova vontade política, no terreno, pouco mudou.

Desde 2006, a PJ intercetou pouco mais de uma tonelada de cocaína (a última grande apreensão foi em 2007), apesar de a diretora daquela força ter admitido, em 2008, que podiam estar a passar pelo país 300 toneladas por ano.

"Este tipo de operações exige uma intervenção rápida, mal se saiba o que se vai passar", para apanhar os intervenientes em flagrante, refere um dos agentes operacionais.

Mas a PJ não tem sequer um barco, nem equipamento de proteção pessoal que dê aos agentes a confiança necessária para enfrentar "pessoas altamente perigosas".

"Por mais que se queira, não se arriscam vidas sem ter a certeza que uma operação estará à altura de os enfrentar", acrescenta.

Acresce ainda ao cenário uma série de outras debilidades.

"O Porto de Bissau não tem uma equipa canina" para detetar cocaína ou outros produtos, queixa-se aquela fonte da PJ.

"Só há um controlo visual" do parque de contentores, respetivas cargas e descargas.

"E o que dizer das fronteiras terrestres", em que há inúmeros caminhos não vigiados percorridos todos os dias. "Quem controla o crime organizado com certeza deve estudar estes pormenores", conclui.
 
A Polícia Judiciária da Guiné-Bissau está a seguir os passos de diversas pessoas identificadas a nível internacional por suspeita de serem grandes traficantes de droga, disse à Lusa fonte da instituição.
 
 

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