ALGUNS VETERANOS DO PAIGC PEDEM AFASTAMENTO DE DSP DA LIDERANÇA DO PARTIDO


Manuel Saturnino Costa
Luís Oliveira Sanca
Porque a contradição interna do PAIGC é tão grande num tamanho incontrolável, nada se pode esperar perante mais um novo figurino historial desenhado com a expulsão hoje, dia 14 de Janeiro, dos catorze deputados e mais Baciro Djá que já estava expulso num outro contexto nas fileiras do PAIGC.

Perante o mesmo cenário, mais um grupo dos militantes do partido, nomeadamente, dos mais veteranos, exigiram o afastamento do presidente do partido, Domingo Simão Pereira, justificando a posição pelo que chamaram de liderança falhada.

Esse grupo é liderado pelo Manuel Saturnino Costa, o presidente honorário do PAIGC e mais outros veteranos do partido entre os quais, Luís Oliveira Sanca e outros, pediram lealdade e verdade no partido, numa clara solidariedade com os deputados ora expulsos.

Manuel Saturnino Costa disse que não vai insultar ninguém, mas prefere seguir a linha da pureza e da lealdade, para que todos posam dividir o pequeno que têm.

Essa posição dos veteranos vem agravar ainda mais a crise no país que continua ameaçar a estabilidade na Guiné-Bissau, onde tudo está acontecer nas vésperas da reapreciação do programa do governo.

«PROJECTO "BEM SERVIR"» MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA E DEFESA DA GUINE-BISSAU RUBRICAM ACORDO PARA DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS


Acto de assinatura do acordo


Bissau,13 Jan 16(ANG) - Os Ministérios da Administração Interna (MAI) e da Defesa Nacional,através do projecto “Bem Servir”, rubricaram hoje um acordo em que se comprometem a defender os Direitos Humanos e combater a violência das Forças de Defesa e Segurança sobre civis.

O acordo foi assinado pelo Director-geral dos Assuntos Sociais do MAI, Arafam Mané e por Abdu Cadri Indjai, Coordenador do referido projecto, tutelado pelo Ministério da Defesa.

No acto, o Director-geral dos Assuntos Sociais do MAI destacou que os jovens são motores de mudança, e a garantia de um futuro melhor para a sociedade guineense.

"Isto porque “os antigos combatentes trouxeram a independência e o poder, cabe a nova geração lutar para o desenvolvimento do país. Ao longo desse processo a nossa forma de pensar e os sucessivos sobressaltos registados adiaram muitos projectos para o desenvolvimento do nosso país”, reconheceu Arafam Mané.

Exortou os jovens a sensibilizarem as pessoas à unirem os seus esforços para o bem de todos e não pelo interesse pessoal.

O Coordenador do Projecto “Bem Servir”, Abdu Cadri Indjai disse que a assinatura de acordo encoraja -lhes a prosseguirem com as suas actividades.

"Vamos abrir uma nova porta no sector da Defesa e Segurança, que é de não violência. De líderes e servidores jovens com capacidades de analisar os problemas que muitas vezes originam sobressaltos”, prometeu.

Cadri Indjai prometeu trabalhar para acabar com os subornos no seio da classe castrense, através de informados sobre os seus direitos e deveres perante a Nação guineense.

Disse que este é o momento de cada um assumir a sua responsabilidade e de mudar a imagem da classe castrense perante o povo guineense e a comunidade internacional.

Cadri apela aos parceiros à apoiarem o projecto “Bem Servir”, porque, segundo ele, está a trabalhar para a melhoria das condições dos agentes das forças de Defesa e Segurança
O projecto terá a duração de um ano e prevê a realização de várias actividades, entre as quais estudos, sensibilização e divulgação de problemas de segurança e defesa nacional em todos os quartéis. 
ANG/LPG/SG/Conosaba

CONSELHO DE JURISDIÇÃO DO PAIGC EXPULSA OS DEPUTADOS QUE SE ABSTIVERAM NA VOTAÇÃO DO PROGRAMA DO GOVERNO




Conselho de Jurisdição do PAIGC preferiu hoje o acórdão que confirma a expulsão dos 14 Deputados que abstiveram-se durante a votação do programa de governo a 23 de Dezembro de 2015.

Abel da Silva, Braima Camará, Rui Diã de Sousa, Isabel Buscardine, Satú Camará, Soares Sambú,Tumane Mané, Manuel Irénio Nascismento Lopes, Eduardo Mamadú Baldé, Maria Aurora Abissa Sanó Sanhá, Amido Queita, Tcherno Sanhá, Adulai Baldé e Bacai Sanhá.

Baciro Djá já tinha sido expulso do partido

Fonte RDP-África

PORQUE NÃO FUNCIONA O SISTEMA POLÍTICO DA GUINÉ-BISSAU?



Foi esta a pergunta que a DW África fez ao sociólogo guineense Leonardo Cardoso. O historiador acredita que há pessoas e capacidade para governar o país. O problema são os que querem servir-se do Estado para enriquecer.

A crise política na Guiné-Bissau continua a arrastar-se. O Programa do Governo de Carlos Correia volta a ser apreciado pelos deputados a 18 de janeiro. Quinze deputados do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder) já anunciaram que vão votar contra "se não houver diálogo sério" com a direcção do partido.

Se o Programa do Governo for novamente rejeitado, o Executivo cai. O impasse na Assembleia Nacional Popular (ANP) tem gerado muita inquietação e um clima de instabilidade, com troca de acusações e ameaças entre os actores políticos.

A DW África perguntou ao sociólogo e mestre em Ciências Sociais Leonardo Cardoso qual poderá ser a solução para a instabilidade que impera na política guineense.

O historiador guineense rejeita a hipótese de uma administração internacional sob a liderança das Nações Unidas para o país, como defendem vários analistas que consideram que a Guiné-Bissau é"praticamente ingovernável".

DW África: Será que os partidos já não têm nenhuma força aglutinadora? Isto visto que, mesmo com maioria absoluta no Parlamento, o PAIGC não consegue governar...

Leonardo Cardoso (LC): Não creio que o PAIGC esteja em condições de aglutinar as forças na Assembleia Nacional Popular, porque apesar da maioria que detém no Parlamento, anda de costas viradas com uma parte dos deputados (15). E pela forma como as coisas têm sido conduzidas, com cada um, por seu lado, a proferir declarações em conferências, não creio que haja condições para uma reconciliação imediata para se poder constituir como única força no Parlamento.

DW África: Acha que este grupo de 15 deputados do PAIGC vai voltar a impedir a aprovação do Programa do Governo, mesmo com a ameaça de sanções à luz dos estatutos do partido?

LC: Eu creio que sim porque parto do pressuposto de que são pessoas adultas e responsáveis. Qualquer decisão do partido por causa dos estatutos baseia-se na Constituição enquanto lei magna. E a Constituição confere a cada um dos deputados o direito de decidir de acordo com a sua consciência. Para além do mais, tanto quanto é do meu conhecimento, há algumas movimentações internas no sentido de se provocar a realização de um congresso extraordinário. Cada um está a jogar a sua cartada.

DW África: Por outro lado, fala-se também numa alegada "compra de votos" dos deputados por figuras políticas influentes. Como avalia esta situação? Que consequências podem ter estas práticas?

LC: Não creio que seja algo real, que as pessoas possam comprovar. Há uma acusação mútua. Há quem afirme que a direcção do partido, na pessoa do seu presidente, ande a fazer também os seus jogos políticos, ande a oferecer carros. E, por outro lado, a direcção do partido diz que, do outro lado, há também compra de consciências. Não sei quem, de facto, anda a fazer jogo sujo. Isto é lamentável, nem que seja prática ultimamente.

DW África: Acha que esta crise do sistema democrático na Guiné-Bissau poderá vir a servir de desculpa para uma maior influência política dos militares?

LC: Não vejo os militares metidos nisto. Há sim quem se queira aproveita da situação evocando o nome dos militares. Estou convencido que a instituição militar – porque eu faço sempre uma distinção entre militares e a instituição militar – em nenhuma circunstância estaria envolvida em jogos políticos. Pelos comportamentos militares que tenho estado a seguir, até diria que a instituição militar é a instituição que mais se tem adaptado às mudanças democráticas no país.

DW África: Há também quem considere que a Guiné-Bissau é praticamente ingovernável. Vários analistas defendem uma administração internacional sob a liderança da ONU para o país. Acha que seria uma solução viável?

LC: Penso que não. Já ouvi muitas análises. Neste mundo, toda a gente se tornou analista político, mesmo não conhecendo bem a essência das coisas, das causas. O que existe efectivamente na Guiné é que as pessoas não querem tomar juízo. E há pessoas que querem servir-se do aparelho do Estado para enriquecimento ilícito. Mas não creio que não existam pessoas e capacidades internas para governar o país. Elas existem.

DW África: Na sua opinião, qual seria a solução para o problema político da Guiné-Bissau?

LC: Não sei se estou em condições de me pronunciar sobre a solução, mas proporia talvez que houvesse estudos mais sérios sobre a realidade da Guiné-Bissau porque há bons exemplos de alternância da democracia, que existem no seio dos diferentes grupos étnicos. Nós tentamos introduzir alguns métodos de governação, de democracia, sem que as próprias populações estivessem preparadas. Foi tudo feito à pressa, na tentativa de importar ou fazer face às pressões internacionais. Mas se tivermos tempo e nos dermos ao luxo de estudarmos as estruturas sociais, os modelos de alternância política que existiam e que ainda existem na Guiné-Bissau, de certeza estaremos em condições de escolher o modelo que mais poderá servir para a Guiné-Bissau e, então, iremos entender-nos.

“ESTADO É MAIOR DEVEDOR DE APGB COM MAIS DE CINCO BILHÕES DE FRANCOS CFA

  Não dá para acreditar mas leia a notícia para tirar ilações. “Estado guineense é maior devedor de APGB, com mais de cinco bilhões de fr...