Guiné-Bissau, empossados 28 Administradores de Sectores


O Ministro da Administração Interna “MAI” conferiu posse esta manhã aos 28 administradores de sectores nomeados por um despacho governamental.

 Na ocasião, Octávio Inocêncio Alves disse que os administradores “jovens”, na sua maioria, com formação superior irão trabalhar para o desenvolvimento dos respectivos sectores.

O titular da pasta da Administração Interna, referiu que a nomeação foi feita na base dos resultados das últimas eleições gerais e apelou aos empossados no sentido de trabalharem para melhor servirem o país.

Os sectores de Cacheu e Prabis, que até aqui não tinham administradores passam, agora, a contar com estes responsáveis, segundo explicações do Chefe de Gabinete do Secretário de Estado da Segurança pública, Augusto Benhafa.

Por sua vez, o Secretário de Estado do Ordenamento e Administração territorial disse que os novos empossados estão imbuídos de responsabilidade acrescida, uma vez que vão trabalhar em sintonia com os Governadores pondo de lado quaisquer pertença partidária, para melhor servirem o pais e o povo guineense.

Abu Camará disse que até aqui os administradores dos sectores são vistos como simples vendedores de talhões de terreno e organizadores dos mercados locais para arrecadar

Eis a lista nominal por regiões:
Região de Tombali:
Sector de Quebo (Braima Djaló)
Sector de Cacine (Seco Indjai)
(...)
Região de Biombo:
Sector de Quinhamel (Pedro da Silva Cá)
Sector de Safim (Libano Gomes Dias)
Sector de Prabis (Joaozinho Có)

Região de Cacheu:
Sector de Cacheu (Ana Paula Rodrigues Sanches)
Sector de Calequisse (Jorge Lima)
Sector de Canchungo (Pedro Mendes Pereira)
Sector de Caió (Abílio Mendes)
Sector de São-Domingos (Elmer Baticã Ferreira)

Região de Quinara:
Sector de Buba (Martinho L. dos Santos)
Sector de Empada (Mário Joáo dos Santos)
Sector de Fulacunda (Mamadú sanhá)

Região de Bafatá:
Sector de Bafatá (Djamila Gomes)
Sector de Bambadinca (Fernando Ramiro Inácio Semedo – Mio)
Sector de Galomaro Cossé (Amadú Candé)
Sector de Ganadú (João Tcherno Candé)
Sector de Xitole (Lancas Seide)

Região de Gabú:
Sector de Gabú (Adulai Bobo Cissé)
Sector de Pitche (iaiá Cassamá)
Sector de Sonaco (Domingos Lopes Moreira Gomes)

Região de Oio:
Sector de Bissorã (José Incaté Nanque)
Sector de Farim (Dicson Varela Pinto Caetano)
Sector de Mansabá (Silvestre Daramé)

Região de Bolama/Bijagós:
Sector de Bolama (Aicha Alfama)
Sector de Bubaque (Mário Valentim)
Sector de Caravela (José Formoso)
Sector de Uno (Armando da Silva)

Governo da Guiné-Bissau, pagou salários com onze bilhões da câmara de comércio


O Presidente da Mesa de Assembleia Geral da Câmara de Comércio Indústria, Agricultura e Serviços (CCIAS), Armando Correia Dias, revelou à reportagem do jornal “O Democrata” que o Governo de transição de Rui Duarte de Barros recebera sete bilhões de francos cfa do Fundo Nacional para Promoção Industrial (FUNPI) e que o actual executivo liderado por Domingos Simões Pereira também recebeu quatro bilhões de francos cfa para pagar salários à Função Pública.

Em declarações ao nosso jornal, o responsável da Mesa de Assembleia Geral da CCIAS explicou que “o Governo de transição tinha dificuldades em pagar salários. Solicitou-nos e disponibilizamos sete bilhões de francos. Também demos ao actual Governo mais de quatro bilhões de francos em dinheiro e combustível para poder melhorar o abastecimento de água e corrente eléctrica no país” disse, sublinhando de seguida que tem na sua posse o documento comprovativo assinado pelo Secretario de Estado de Tesouro. Armando Correia Dias esclareceu também ao nosso semanário que a conta de FUNPI é gerida pelo Ministério das Finanças e Ministério de Comércio, com o aval de CCIAS.

Dias disse ainda que a sua instituição cedeu as referidas verbas, porque se tratava de assuntos nacionais e que o dinheiro seria usado para os superiores interesses da nação guineense. Por outro lado, Armando Correia Dias esclareceu que foi devolvido aos comerciantes que pagaram o FUNPI em 2012 os respectivos montantes em dinheiro, devido à má campanha de comercialização registada.

Instado a pronunciar-se sobre a dívida interna paga pela CCIAS, o Presidente da Mesa de Assembleia Geral da CCIAS não confirmou nem desmentiu se houve ou não pessoas que teriam recebido o pagamento por duas vezes, como sustenta o Movimento do Sector Empresarial da Guiné-Bissau.

Armando Correia Dias desmentiu, no entanto, informações de que as quotas e jóias só foram fixadas depois do término do mandato da Direcção do CCIAS liderado por Braima Camará, defendendo de seguida que o valor das quotas nunca foi alterado e que sempre foi 20.000 francos cfa para a classe “A”, 15.000 francos cfa para a classe “B” e 10.000 francos cfa para a classe “C”.

Contudo, “o Democrata” teve acesso à convocatória da reunião extraordinária do Conselho Directivo datada de 16 de Março deste ano e assinado pelo presidente Braima Camará, que convocava todos os membros da Direcção para uma reunião extraordinária a ser realizada a 19 do mesmo mês. O terceiro ponto da ordem dos trabalhos dessa reunião era “análise e aprovação da tabela de preços para inscrições (jóias e quotas) na CCIAS”.

“O Democrata” apurou ainda que os importadores pagam à CCIAS, por cada saco de arroz, de farinha, de açúcar que importarem para o país 50 francos e por cada litro de combustível importado 2.000 francos cfa. No “porto seco” de Safim cada camião paga 17.000 francos. Quanto a eventual possibilidade de o Governo mandar encerrar a Câmara, Armando Correia Dias garantiu ao nosso jornal que o Governo “não tem competências de fechar” a instituição que actualmente dirige, sublinhando que o papel do Governo, nesta matéria em particular, é apenas de aconselhar.

Armando Correia Dias considerou que a solução saudável para este impasse na CCAIS é a de todos os seus associados regularizarem as suas condições de sócios, pagando as suas quotas e jóias para poderem estar em condições de reivindicarem os seus direitos e participarem na próxima assembleia.

Entretanto, na passada quinta-feira 2 de Abril, um grupo de associados invadiu a sede da CCIAS para reivindicar a regularização da sua situação para assim poderem estar presente na assembleia que decidirá a marcação da data de eleições e aprovação de relatórios de contas dos seis anos do mandato de Braima Camará.

Os associados da CCIAS disseram à imprensa que saíram insatisfeitos daquela instituição empresarial que gere todas as actividades do Sector Empresarial Nacional. Tudo isso, porque pediram à Mesa de Assembleia Geral da CCIAS sob liderança Armando Correia Dias a revisão dos valores das quotas porque entendem que as deliberações em termos de valores propostos para associados são exorbitantes, tendo em conta os rendimentos dos próprios associados. A Direcção sob o comando de Armando Correia Dias remeteu para assembleia geral do dia quatro deste mês a fixação dos valores das quotas, joias e inscrições.

O Presidente da Mesa de Assembleia negou categoricamente que a actual Direcção da CCAIS esteja a distribuir indevidamente cartões às pessoas que não são associadas da instituição para poderem votar na próxima assembleia, como forma de renovar o mandato do actual Presidente Braima Camará. Disse ainda ao nosso jornal que a nível de regiões, os sócios das regiões de Bafatá e Gabú são os que mais pagaram as suas quotas. Por isso, em 500 sócios com quotas em dia, as duas regiões terão mais participantes.

“É curioso que aqui em Bissau, onde vivem os patrões das empresas, poucas pessoas tenham a sua condição como sócio da CCIAS regularizada. Mas, em Bafatá e Gabú muitas pessoas pagaram as quotas e têm a sua situação legalizada e podem participar na próxima assembleia. A Região de Gabú, por exemplo, tem cem lugares, mas queria mais porque muito dos seus associados pagaram as suas quotas e tem a sua situação legal para participarem na assembleia”, explicou Armado Coreia Dias.

EMPRESÁRIOS EXIGEM LEGALIDADE NA GESTÃO DA CCAIS

Por seu lado, o Movimento do Sector Empresarial da Guiné-Bissau exige dos responsáveis máximos da CCIAS o cumprimento da lei interna da Câmara para que se possa esclarecer de uma forma transparente a gestão de 2.2 bilhões de Francos CFA que o Governo cedeu à CCIAS no quadro do FUNPI. O seu Porta-voz Idrissa Djaló assegurou a “O Democrata”, depois de um encontro de trabalho com o Presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP) Cipriano Cassama, que “o desejo destes homens de negócios era informar ao Presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP) da grave situação de gestão de fundos de FUNPI”.

Na sua visão, a Direcção da CCIAS tem vindo a violar sistematicamente a lei de transferência de fundos do FUNPI desde que em 2010 Braima Camará assumira a liderança daquela instituição do Sector Privado Nacional. Considerou de muito nebuloso o processo de pagamento da dívida interna, havendo pessoas ilegíveis, mas que receberam e algumas chegaram a receber duas vezes. Idrissa Djaló lamenta que a CCIAS se tenha transformado num banco de crédito de alguns governantes do país para satisfazerem as suas necessidades pessoais em detrimentos dos verdadeiros homens do Sector Empresarial nacional.

Idrissa Djaló considera incompreensível que a CCIAS, embora tenha utilizado indevidamente dinheiros do Sector Privado, se tenha dado ao luxo de não realizar em seis anos, uma simples reunião com os verdadeiros empresários. Nem uma assembleia organizou para, pelo menos dar uma simples explicação das razões de ter utilizado desta forma dinheiros de homens de negócios.

“Há seis anos que estamos neste impasse de tentar convencer a Direcção da Câmara para que nos apresente o relatório de contas, sem sucesso. Alguns de nós foram obrigados a demitir-se das funções que ocupávam, porque não queríam participar numa gestão nebulosa de fundos que estavam a disposição da Câmara”, explicou sublinhando de seguida dizer que alguns se demitiram das suas funções, mas não deixaram de ser sócios de Câmara. Por isso entendem que têm o direito de saber da gestão dos fundos públicos que entram na Câmara.

No seu entender, a decisão do Conselho Directivo da CCIAS do dia 19 do mês passado, de aprovar a tabela de preços de inscrições, quotas e joias, é ilegal, uma vez que é da competência exclusiva da Mesa de Assembleia Geral deliberar a fixação dos referidos valores e não do Conselho Directivo. Por outro lado, e na opinião do Porta-voz do Movimento do Sector Empresarial da Guiné-Bissau é também à Mesa de Assembleia da Câmara que compete definir as condições dos sócios que possam ou não participar na sua reunião magna. Manifestou a sua preocupação de a actual Direcção da CCIAS poder agravar ainda mais a situação já por si degradante, se insistir em realizar a Assembleia Geral sem que esteja esclarecida a situação dos associados que podem participar no conclave.

Idrissa Djaló disse ao nosso jornal que recebera garantias do Presidente da ANP de que informaria à Comissão Especializada da Área Económica e ao Tribunal de Contas. Só depois destes “démarches” que, de acordo com Cipriano Cassama, aquele órgão de soberania nacional que dirige assumirá uma posição face a gestão de fundos públicos na CCIAS. O Democrata sabe que o Movimento do Sector Empresarial da Guiné-Bissau tem também um encontro agendado com o Chefe do Governo Domingos Simões Pereira para lhe testemunhar da gestão de fundos na CCIAS, pela sua actual Direcção liderada por Braima Camará.

GOVERNO É CÚMPLICE NA MÁ GESTÃO DO FUNPI

O Presidente da Associação Nacional dos Agricultores da Guiné (ANAG) Jaime Boles considerou, por seu turno, que “o Governo, durante todo este tempo, tem assumido uma posição de certa cumplicidade perante a má gestão dos fundos da FUNPI”. Na sua visão, o Governo, enquanto elemento central no controle do FUNPI, deveria assumir um papel de maior rigor na autorização e seguimento de gestão de fundos desbloqueados a favor de vários empresários que operam no sector privado nacional. O Governo deveria ter coragem de exigir a entrega de relatórios de gestão financeira à Direcção da Câmara de Comércio. O mesmo deveria acontecer em relação às associações filiais da Câmara. “Se o Governo não exige o relatório de contas à Câmara e se a Câmara não exige também justificativos financeiros de fundos que concede aos seus associados, então há aqui algo de muita cumplicidade”, defendeu o líder da ANAG

Ainda na sua opinião, “o desentendimento à volta do FUNPI é resultado de desorganização e má gestão da parte de algumas pessoas e quem deve explicar sobre a má gestão do FUNPI é o Governo”. Apesar de tudo, Jaime Boles não concorda com a suspensão temporária de FUNPI pelo Governo.

Jaime Boles Gomes assegurou a “O Democrata” que, como membro da Direcção cessante da ANAG liderada por Mama Samba Embalo, teve acesso à informação segundo a qual a Câmara de Comércio teria desbloqueado um fundo, num valor que não precisou, para agricultores, mas que naquele momento não tinha em sua posse nenhum documento sobre actividades agrícolas desenvolvidas para o bem-estar dos agricultores nacionais com os referidos fundos disponibilizados pelo CCIAS.

Instado a pronunciar-se sobre a decisão do actual Governo em realizar uma auditoria à FUNPI, o novo homem forte da ANAG congratula-se com a decisão do executivo de Domingos Simões Pereira assegurando que “é acto de legalidade que executivo quer agora repor” na CCIAS.

O responsável máximo dos agricultores defendeu, por outro lado, a necessidade da revisão dos estatutos da CCIAS de forma a vedar ao seu Presidente exercer quaisquer outras funções no Governo e noutros órgãos de destaque no aparelho de estado da Guiné-Bissau.

Por seu lado, a Primeira Vice-Presidente da Associação das Mulheres da Actividades Económicas (AMAE), Antónia Adama Djaló, manifestou o seu desagrado para com o FUNPI, asseverando que “esperava que o FUNPI viesse ajudar-nos no desenvolvimento de negócios tal como estava estabelecido aquando da institucionalização deste fundo em 2011” pelo Governo.

Todavia, de acordo com Antónia Adama Djaló, a CCIAS disponibilizara a AMAE, em 2013, no quadro de FUNPI, cem (100) milhões de francos cfa. Mas nenhuma das suas associadas conseguiu ter o acesso a esse crédito bancário devido a garantia patrimonial que fora exigida às mulheres que praticam actividades económica no país. Por isso e na sua opinião, as associadas da AMAE não vêm agora importância da manutenção de FUNPI pelo Governo uma vez que não satisfaz as necessidades dos seus associados do Sector Empresarial da Guiné-Bissau.

Tal como o Presidente da ANAG, Antónia Adama Djaló defendeu também a necessidade da revisão dos Estatutos da CCIAS no sentido de permitir no seio da organização que gere as actividades económicas e empresariais do sector privado nacional, a separação e desconcentração de poderes.

Não obstante considerar que CCIAS não conseguiu satisfazer as necessidades dos seus associados até a data presente, a Vice-Presidente da AMAE espera que nos próximos tempos a Câmara assuma a sua missão de mobilizar fundos e defender os interesses económicos de todas as organizações nela filiadas.

FÓRUM DE COMERCIANTE NÃO QUER UMA CCIAS ELITISTA

Também como todas as outras organizações do Sector Empresarial da Guiné-Bissau,o Fórum de Concertação de Diferentes Associações do Sector Privado do país exigiu que a Direcção da CCIAS apresente contas de seis anos do mandato da Direcção cessante liderada pelo empresário Braima Camará que acusam de dirigir a Câmara de uma forma elitista, representando apenas um pequeno número de pessoas que vivem a sua volta e marginalizando a maioria dos comerciantes, importadores e vendedores dos mercados da Guiné-Bissau.

Para o Presidente da Associação dos Comerciantes, Importadores e Vendedores dos Mercados da Guiné Bissau Meta Candé, a Direcção cessante do CCIAS não tem competências para marcar assembleia geral sem antes prestar as contas do período do seu mandato de seis anos.

Sendo a sua organização uma das associações integrantes no Fórum de Concertação, Meta Candé sustenta que o artigo 23º dos Estatutos da CCIAS no seu ponto dois (2) estipula que “a Assembleia Geral deve reunir em sessões ordinárias duas vezes por ano e realizar-se-ão, salvo justo impedimento, até finais do Mês de Março e finais do Mês Dezembro, excepto no ano das eleições”, todavia, a Direcção cessante não realizou nenhuma assembleia geral durante todo o período de seis anos do seu mandato. Esse facto deixou o responsável da Associação dos Comerciantes, Importadores e Vendedores dos Mercados da Guiné-Bissau muito indignado. Na sua visão, a Direcção da CCIAS não poderia agora fazer uma assembleia geral para apresentar as contas de todo o período do seu mandato só de uma vez. Considerou que a marcação da assembleia geral para o efeito no dia 04 de Abril não passa de manobras para manipular a opinião pública sobre o que realmente se passou naquela organização empresarial do sector privado do país. Meta Candé questionou a transparência da reunião do dia quatro de Abril deste ano. “Tenho sérias dúvidas da transparência da assembleia geral do dia quatro de Abril, porque temos informações em como a Direcção da CCIAS está a distribuir indevidamente, em todo o território nacional, cartões às pessoas que não são comerciantes nem empresários. Tudo na tentativa de manter Braima Camará na liderança da Câmara”, explicou ao nosso jornal, defendendo de seguida pela mesma diapasão que a fixação ou a alteração das quotas é da competência exclusiva da Mesa Assembleia Geral da CCIAS e não do Conselho Directivo.

No seu entender, o facto da Direcção da Câmara ter aumentado a quota sem a deliberação da Mesa da Assembleia Geral é uma prova inequívoca da sua pretensão em obstaculizar a participação dos verdadeiros sócios da Câmara. “Sabemos que essas manobras são para poderem encher a sala da assembleia geral com simpatizantes de Braima Camará, no sentido de aprovarem as contas dos seis anos do seu mandato sem oposição”. Meta Candé testemunhou ainda a O Democrata que o valor das quotas era dois mil (2000 francos cfa). A sua alteração só pode ser perante a deliberação da Mesa da Assembleia Geral da CCIAS.

Defendeu que a única saída saudável para o impasse que reina agora na CCIAS passa necessariamente pela criação, pelo Governo, de uma comissão independente de auditoria às contas dos seis anos do mandato de Braima Camará. No seu entender só depois de uma auditoria transparente que estarão reunidas as condições para a realização de eleições na CCIAS.

Meta Candé considerou de um desastre autêntico a gestão dos fundos do FUNPI pela Direcção da Câmara liderada pelo empresário Braima Camará, pedindo para que haja uma auditoria externa para garantir a transparência na gestão dos fundos. Entretanto, “O Democrata” apurou que o Ministro do Comércio, António Serifo Embaló, garantiu, em Dezembro do ano transacto, ao Sector Empresarial nacional que o executivo de Domingos Simões Pereira excluiu o FUNPI do Orçamento Geral de Estado de 2015 e pretende agora promover uma auditoria externa às contas da CCIAS no sentido de instaurar a transparência na sua gestão.

Por outro lado, Meta Candé disse a “O Democrata” que confia nas instituições judiciais do país que poderão fazer a CCIAS cumprir a lei, fazendo vincular as reivindicações do Fórum de Concertação de Diferentes Associações do Sector Privado do país. Exigiu um esclarecimento de como foi utilizado o fundo de FUNPI e como foram pagas as dívidas internas aos empresários. O Presidente da Associação dos Comerciantes, Importadores e Vendedores dos Mercados da Guiné Bissau exigiu que a Direcção da Câmara divulgue publicamente a lista de pessoas do Sector Privado que beneficiaram do pagamento no quadro da dívida interna, pondo assim um ponto final na nebulosidade que reina em torno da dívida interna.

“O pagamento da dívida interna foi tão nebuloso ao ponto de haver pessoas que receberam duas vezes e entre elas há pessoas que nunca foram empresários nem fizeram uma única transação bancária de, pelo menos, dois milhões de francos cfa nas suas contas num Banco da Guiné-Bissau”, explicou, acrescentando: “Não reivindicamos há seis anos apresentação de contas pela Direcção de Braima Camará, porque somos pequenos comerciantes não podíamos reclamar contra os grandes patrões, empresários elitistas, esperando que o processo eleitoral fosse uma oportunidade única para reivindicarmos todas as irregularidades e exigirmos o respeito pelos Estatutos e os nossos direitos.”

Estando agora a CCIAS a caminhar para o acto eleitoral, Meta Candé advertiu que o Fórum de Concertação de Diferentes Associações do Sector Privado do país não aceitará a continuidade da situação de “ilegalidades”. Por isso, os seus membros pretendem recorrer à justiça para fazer vincar os seus direitos de associados na Câmara. Concorda, por outro lado, que o Governo autorize o encerramento da CCIAS por algum tempo para reestruturá-lo uma vez que até aqui não conseguiu representar os interesses da maioria dos seus associados.

Também o Presidente de Associação Guineense de Retalhistas, Mama Samba Sabali, disse à reportagem de O Democrata que a Direcção cessante da CCIAS devia, antes de tudo, preocupar-se com a legalidade, na prestação de contas, como recomendam os seus Estatutos. Aconselhou os membros da Direcção cessante no sentido de se pautarem pela legalidade que, segundo ele, é a única forma de promover o desenvolvimento do nosso país. Exortou o Governo a assumir o seu papel, enquanto responsável do Estado, no sentido de pôr cobro à “ilegalidade” que reina na CCIAS.

No seu olhar, os comerciantes retalhistas sofreram silenciosos durante seis anos do mandato, e gritavam e choravam no calar da noite sem que alguém desse conta. Não possuíam meios económicos e financeiros para competir na sub-região e na Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP), porque reinava na CCIAS a lei do mais forte. Por isso, com as próximas eleições que estão a porta, surgiu uma oportunidade única de os retalhistas poderem combater as ilegalidades que reinavam no seio da Câmara.

Por seu lado o Vice-Presidente da Associação Industrial, Carlos Lopes, considerou que a gestão dos fundos de FUNPI foi a maior corrupção que já aconteceu em toda África porque as pessoas utilizaram o dinheiro do fundo antes da própria organização estar estruturada legalmente. O empresário precisou à nossa reportagem que o decreto da constituição do FUNPI é claro quanto ao destino a dar aos seus fundos lamentando porém que foram “as pessoas que ignoraram pura e simplesmente o decreto e começaram a meter as mãos no dinheiro. Assim ganharam o gosto pelo dinheiro e esqueceram-se de que estão a cometer um crime”.

O número dois de Associação Industrial da Guiné-Bissau acusou o Governo de ter participado também na “ilegalidade” no uso dos fundos de FUNPI, uma vez que, tem vindo a criar protocolos ilegais com a CCIAS para a utilização dos fundos. Na sua visão, o Governo não pode criar protocolos com uma instituição de utilidade pública, sabendo de antemão que aquela instituição nunca realizou uma assembleia geral para apresentar legalmente as contas durante seis anos do seu mandato.

“A utilização dos fundos do FUNPI foi totalmente ilegal, fraudulenta e criminosa, porquanto a criação da comissão paritária para geri-los não está prevista na lei. A referida comissão paritária é constituída por membros da CCIAS e membros do Governo e foi criada para gerir os fundos do FUNPI a revelia do decreto que o criou”, disse à nossa reportagem o industrial Carlos Lopes, sublinhando ainda “a forma como foram líquidadas as dívidas internas foi igualmente fraudulento, porque não se pode pagar as dívidas internas quando, na realidade, não existe uma lista organizada e actualizada dos nomes e os títulos dos montantes devidos”.

Para Carlos Lopes, houve uma confusão generalizada entre dívidas internas e prejuízos de guerra. Sem papas na língua o industrial foi mais longe, revelando ao nosso jornal que uma boa parte de pessoas receberam duas, três e até quatro vezes consecutivas uma vez que as dívidas não são tituladas pelo Estado. Assim elas voltam novamente a ser reequacionadas, dependendo de conivência dos amigos ou dos conhecidos.

O vice-presidente da Associação Industrial não tem dúvidas de que a CCIAS não tem competências para decidir quem deve receber ou não. Essa decisão é da exclusiva competência do Estado, mediante uma publicação de títulos como forma de garantir a transparência do processo. Nesse particular, o responsável do sector Industrial guineense garantiu a O Democrata que “não houve transparência no processo de pagamento da dívida interna, porque não se sabe quem recebeu e quem não recebeu”.

O industrial guineense deixou também claro à nossa reportagem que a sua associação já entregou um abaixo-assinado dos seus membros aos órgãos de Estado no sentido de suspender todos os protocolos de cooperação com a Câmara até depois da resolução do problema. A seu ver o Estado é cúmplice dessa situação. Não obstante as denúncias que fizeram, nunca a Procuradoria-Geral da República fez alguma coisa para fazer cumprir a lei, e nem o Tribunal de Contas exigiu que a Câmara apresentasse as contas de actividade, conforme recomenda os seus próprios Estatutos.


De acordo com a sua leitura a nossa reportagem, o Presidente da Direcção cessante e o Presidente da Mesa de Assembleia Geral não reúnem agora condições de representar nem dirigir a Câmara, cabendo-lhes apenas fazer funcionar o aparelho administrativo sob a orientação do Secretário-Geral, uma vez que o seu mandato já caducou e não têm competências de organizar assembleia geral. No seu entender deve-se criar uma comissão independente que garanta a transparência do processo eleitoral. Revelou que o Presidente da Direcção cessante não tem as quotas em dia, porque a Câmara não tem um relatório de actividades e de contas nem uma contabilidade aprovada em que constem os nomes dos sócios que pagam as quotas e as respectivas jóias. Mas, de acordo com o regulamento da União Económica Monetária de Estados da África Ocidental, (UEMOA) no primeiro capítulo, artigo numero um (1), estipula que “qualquer empresa abrangida pelo artigo dois (2) deve dispor de uma contabilidade destinada a prestar informação externa, bem como para o seu próprio uso” interno.

A comunidade muçulmana sunita exige a expulsão dos xiitas no país

A comunidade muçulmana sunita na Guiné-Bissau, blasfemava sexta-feira em declarações públicas contra a presença de Shia no país e pediu sua expulsão.


De acordo com o presidente da Juventude Islâmica, Caramba Baio, "os xiitas são fundamentalistas perigosos" e sua presença é "uma ameaça à unidade e convivência pacífica entre os muçulmanos.""Os xiitas são contra os valores e os ensinamentos do profeta Maomé", disse, por sua vez, Ibraima Sanha, um membro do Conselho Islâmico Superior.Sanha pediu ao governo para expulsar os xiitas da Guiné-Bissau, um país com 55% de maioria muçulmana sunita no poder, de acordo com dados oficiais. O número de xiitas não está disponível, mas sua influência se reflecte no aumento do uso do véu pelas mulheres em locais públicos."Esta forma de exercício religioso deve ser combatido para evitar situações similares como o Iraque e a Síria", sublinhou os muçulmanos.Já em fevereiro, o Conselho Nacional Islâmica do Guiné-Bissau afirmaram sua oposição ao uso do véu em particular o véu integral. Seu presidente, Aladje Siradjo Bari, havia argumentado que essa prática não existe na profissão de fé islâmica e aconselhou seu abandono.Reagindo à declaração do Presidente da Juventude Islâmica, o representante dos xiitas no país, Helena Said, anunciou que iria apresentar uma queixa junto do Supremo Tribunal de Justiça.

Discurso de Carmelita Pires na Conferência da Juventude Partidária


 (Abril 2015)

Digníssimos Deputados,
Senhores Presidentes dos Partidos Políticos,
Caros Colegas, Membros do Governo,
Representantes da Juventude Partidária e Conferencistas,

Sinto-me imensamente grata por poder contribuir para a reflexão e debate de um tema de tão manifesta importância e actualidade: Juventude Partidária e Empreendedorismo.

O nosso futuro coletivo depende, em grande medida, da forma como encaramos o nosso meio ambiente social. Podemos encarar a realidade que nos rodeia como um dado adquirido, assumindo que somos apenas uma minúscula peça de uma enorme engrenagem. Talvez essa atitude seja comum e até justificável em países desenvolvidos, nos quais basta apenas continuar a olear a velha máquina. No entanto, bem conhecemos o estado de indigência a que inevitavelmente conduz uma visão estática da vida social, em países subdesenvolvidos, onde, pura e simplesmente, não há propriamente nada merecedor de ser conservado.
O imobilismo, promovido por uma classe política pouco interessada numa verdadeira mudança, pode provocar a total atrofia da capacidade de evolução positiva da sociedade.

Ora, SE NÃO HOUVESSE UM «BICHINHO» A ROER O HOMEM, nunca teríamos saído da Idade da Pedra. O mesmo «bichinho» atacou virulentamente Cabral, levando-o a recusar o reconhecimento e uma carreira de topo que o regime colonial lhe oferecia. PORQUÊ? Porque seria tornar-se colaborador na conservação de um regime que considerava radicalmente injusto e humanamente desadequado. Poderia ter escolhido outro caminho, entrando para o sistema com a intenção de o mudar por dentro? Talvez. Mas, por vezes, é necessária uma MUDANÇA RADICAL, na própria maneira como encaramos as coisas. Isto faz-me lembrar a competência especial desenvolvida por um peixe do nosso tarrafe: o SALTON. Se não conseguisse «dar o salto» morreria enterrado na lama!

TEMOS DE CONSEGUIR DAR O SALTO E PARA ISSO É PRECISO POR AS MÃOS NA LAMA.
O lema de campanha eleitoral do PUSD foi Pa Lantanda Nô Terra.
Na qualidade de Presidente do Partido, incentivo vivamente a população e, em particular, os jovens a assumir um papel cívico ativo, na condução dos seus destinos. INVECTIVO OS JOVENS A UMA VERDADEIRA MILITÂNCIA PARTIDÁRIA, que não se pode resumir a agitarem bandeirinhas em período eleitoral.

É no terreno, no sentir das populações, no convívio das suas dificuldades e desafios, que podem aprender positivamente a criar as vossas próprias convicções. É que EMPREENDEDORISMO NÃO SE RESUME AO CAMPO PROFISSIONAL. Empreendedorismo deve ser encarado, de uma forma mais banal, como uma atitude, de envolvimento positivo com a mudança que sonhamos ver implementada. Trata-se de encarnar a mudança, de deitar as mãos à obra, mesmo que para isso, seja necessário enterrá-las na lama. SONHAMOS, COMO CABRAL, QUE AS FLORES DA NOSSA LUTA VENHAM A SER MULHERES NOVAS E HOMENS NOVOS.

Compatriotas e Caros Jovens,
Permitam-me que recupere um slogan da campanha eleitoral do meu Partido, que consistia nos 3Cs. CAPACIDADE - COMPETÊNCIA - CONSISTÊNCIA.
O nosso país já viveu tempo demais centrado nos seus políticos.
Não basta pretender ter capacidade, como invariavelmente afirmam. É necessário também que se mostre competência na execução e que os resultados obtidos apresentem consistência.
Julgo que o paralelo entre empreendedorismo e militância é bastante feliz, aproveitando para felicitar os organizadores.
É que o empresário, à diferença do político, tem de reunir os 3C: não lhe basta, por exemplo, ser capaz e competente, se os seus resultados não tiverem consistência, pois é instantaneamente avaliado pelo mercado: se não ganhar dinheiro, pode abandonar a vocação. SERIA FÁCIL SE PUDÉSSEMOS CRIAR EMPREENDEDORES POR DECRETO. Mas se assim fosse, todos o fariam; de facto, é muito mais complicado. É toda uma aprendizagem, que vai da vontade de experimentar, à experiência e à confiança adquirida durante essa prática. É toda uma pedagogia do «impulso», da motivação para essa atitude pro-activa, que é necessário despoletar na juventude. Fazer-lhes sentir que podem criar o seu próprio lugar no mundo, se se esforçarem por isso.

HÁ QUE VALORIZAR A CAPACIDADE PARA ASSUMIR RISCOS, de reconhecer, no nosso imaginário social, o elevado estatuto daqueles que procuram VALORIZAR AS SUAS COMPETÊNCIAS, criando nichos de produtividade e de saber fazer capazes de gerar valor acrescentado, onde antes existiam apenas oportunidades por explorar.

A VITALIDADE DAS NAÇÕES MEDE-SE PELA QUALIDADE DO SEU EMPREENDEDORISMO E DA SUA CLASSE EMPRESARIAL. Já na política, precisamos desesperadamente de genuíno empreendedorismo ao nível da militância partidária, que se traduza numa melhor circulação da informação, fazendo chegar aos responsáveis políticos as autênticas aspirações do povo, como preconiza o espírito da Constituição guineense.
Desafio a Juventude do meu Partido a criar um NÚCLEO DE EMPREENDEDORISMO, a todos os níveis, de cuja reflexão e dinâmica o Partido e os próprios militantes possam vir a beneficiar.

Ainda neste contexto, gostaria de alertar para os riscos de uma visão do desenvolvimento assente na exploração desenfreada dos recursos naturais, pela forte dependência económica que cria em relação às flutuações das cotações das matérias-primas. Preferimos, à ganância de querer explorar e gerar receitas a qualquer custo, UM MODELO DE DESENVOLVIMENTO MAIS CONSCIENTE E HARMONIOSO, atento à igualdade de oportunidades, à coesão social e, por essa via, à sua sustentabilidade para as gerações futuras.

Compatriotas e Nossa Juventude Partidária
Não poderia terminar sem uma palavra de apreço para com a nossa Jovem diáspora. A coragem de partir para um país estrangeiro à procura de uma situação de vida melhor para nós e para a nossa família é já, em si, um grande ato de empreendedorismo. Desafiamos aquelas e aqueles que já o fizeram uma vez, que arrisquem de novo, que se interessem pelo destino da Guiné-Bissau, beneficiando-nos com toda a experiência que entretanto adquiriram, devolvendo-a ao serviço da terra.
Perante a enorme tristeza que sentimos quando vemos cenas como aquelas que se passam frequentemente em Lampedusa, ocorre-nos pensar: SERÁ ESTA A ÚNICA ESPERANÇA DA NOSSA JUVENTUDE? Não poderíamos canalizar toda essa energia, colocando o seu empreendedorismo ao serviço do país, onde tanta falta nos faz?

Concluo apelando a todas e todos os guineenses no sentido de darem um especial valor social aos empreendedores, de se promover o respeito e a elevada consideração que lhes é devida. Isso faz parte da grande mudança que pretendemos para a nossa terra. Implica UM CORTE RADICAL AO NÍVEL DA MENTALIDADE PREVALECENTE, bastante perniciosa, para evitar que se insinue nas expectativas dos jovens, levando-os a acreditar que só terão futuro entrando para a política e para o aparelho estatal, perpetuando a cultura do proveito pessoal em detrimento da coisa pública.

É VITAL MOSTRAR AOS JOVENS QUE É POSSÍVEL E ALTAMENTE DESEJÁVEL UM COMPROMISSO.

É preciso abandonar a mentalidade que nos faz desmerecer as coisas e as pessoas da nossa terra.
A esperança de uma mudança autenticamente positiva reside na cooperação, na afirmação identitária e numa nova cultura política. E a insatisfação própria da juventude é o nosso maior trunfo para essa revolução tranquila!
Muito obrigada a todas e a todos pela vossa atenção.

(Oradora: Carmelita Pires, Presidente do PUSD.)


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